Sinais neurológicos
As manifestações neurológicas da cinomose canina geralmente surgem entre 1 e 3 semanas após a recuperação dos sinais sistêmicos. No entanto, não é possível prever quais cães desenvolverão distúrbios neurológicos. Em alguns casos, os sinais neurológicos podem coincidir com a doença multissistêmica, enquanto em outros, podem surgir semanas ou até meses após a infecção inicial.
Os sinais neurológicos variam conforme a área do SNC afetada. Os mais comuns incluem paresia, mioclonia e convulsões. O desenvolvimento de sinais neurológicos está geralmente associado a um prognóstico reservado ou grave. Além disso, mesmo nos cães que sobrevivem à fase neurológica da doença, déficits neurológicos residuais são frequentes, afetando a qualidade de vida a longo prazo desses indivíduos.
DIAGNÓSTICO
A cinomose canina é uma doença viral altamente contagiosa que apresenta manifestações clínicas variadas, incluindo sinais respiratórios, gastrointestinais, neurológicos e cutâneos, o que torna seu diagnóstico desafiador. Para confirmar a infecção, uma abordagem combinada de métodos laboratoriais, imunológicos e moleculares pode ser fundamental, permitindo maior precisão na identificação do patógeno, bem como na avaliação do estágio da doença.
Achados laboratoriais
Os achados hematológicos incluem linfopenia, trombocitopenia e anemia regenerativa, especialmente em neonatos infectados. Os corpúsculos de inclusão da cinomose são estruturas intracelulares formadas por nucleocapsídios virais, características típicas das infecções por vírus da família Paramyxoviridae. Essas inclusões podem ser observadas principalmente na fase inicial da doença e são úteis para o diagnóstico em esfregaços sanguíneos. Nos linfócitos, manifestam-se como estruturas grandes, ovais e de coloração cinzenta, enquanto nos eritrócitos são arredondadas, excêntricas e azuladas. Por outro lado, os corpúsculos de Howell-Jolly são remanescentes nucleares presentes nos eritrócitos, formados devido a falhas na remoção do núcleo durante a maturação celular. Sua ocorrência é geralmente associada a condições como anemia regenerativa ou disfunção esplênica. Apesar de também serem arredondados e azulados, possuem origem, estrutura e localização distintas em relação às inclusões da cinomose. As alterações bioquímicas, como a diminuição da albumina e aumento das globulinas α e γ, são inespecíficas, e filhotes infectados podem apresentar hipoglobulinemia devido à imunossupressão.
Imunocitologia
Técnicas imunofluorescentes e imuno-histoquímicas são ferramentas que podem ser utilizadas no diagnóstico da cinomose canina. A imunofluorescência é realizada em esfregaços de epitélio conjuntival, tonsilar, genital, respiratório e em células do LCS, sangue e urina, detectando o antígeno viral entre 2 e 5 dias PI, com diminuição à medida que os anticorpos aumentam. Os resultados são mais confiáveis nas fases agudas, pois falsos negativos podem ocorrer nas crônicas devido ao mascaramento do antígeno. Já a imuno-histoquímica utiliza cortes de tecido congelados ou embebidos em parafina para identificar o vírus em mucosa nasal, coxins plantares, pele dorsal e tecidos como baço e cérebro, sendo mais utilizados em diagnósticos pós-necropsia.
Detecção de anticorpos IgG/IgM
O teste de neutralização é o padrão para avaliar a proteção contra o CDV, correlacionando os títulos séricos ao nível de imunidade. Os anticorpos neutralizantes, direcionados às proteínas H e F do vírus, surgem em média 20 dias após a infecção e podem persistir por longos períodos na vida do animal, seja vacinado ou recuperado. Os Testes Rápidos Imunocromatográficos da Accuvet, por serem semi-quantitativos, permitem a detecção e mensuração dos anticorpos IgG e IgM, indicando os títulos séricos pós-infecção ou vacinação.
Detecção de antígenos
A detecção de antígenos do CDV pode ser realizada por meio de Testes Rápidos Imunocromatográficos da Accuvet, que são amplamente utilizados devido à sua praticidade e sensibilidade. Esses testes fornecem resultados em poucos minutos, sendo especialmente úteis para diagnósticos iniciais. Eles detectam antígenos virais em amostras de swabs conjuntivais, nasais, orais e/ou líquor, tornando-se uma ferramenta valiosa na triagem clínica, principalmente em casos com sinais agudos da doença. Quando utilizados em conjunto com métodos mais avançados, como o RT-qPCR, podem melhorar significativamente a precisão diagnóstica.
O diagnóstico baseado na detecção do antígeno viral em swabs de mucosas oculares, nasais ou em líquor é altamente recomendado, já que essas áreas frequentemente apresentam altas cargas virais. Para maior sensibilidade, em animais na fase respiratória da doença, o material ideal para análise são swabs das mucosas oculares e/ou nasais. Por outro lado, em animais que apresentam sinais neurológicos, como ataxia, perda de equilíbrio, incoordenação, paralisia, convulsões ou mioclonia – sintomas que podem surgir tanto na fase inicial quanto na tardia da doença –, o líquor é o material mais indicado para os testes.
CONCLUSÃO
A cinomose canina é uma doença viral multifacetada, caracterizada por uma infecção sistêmica que compromete diversos sistemas do organismo do animal, incluindo o respiratório, gastrointestinal, neurológico e tegumentar. Dada a variabilidade de sinais clínicos e a complexidade de seu diagnóstico, que pode envolver diferentes fases da doença, é essencial o uso de métodos laboratoriais seguros para a identificação precisa do agente etiológico e a avaliação do estágio da infecção. O diagnóstico rápido, por meio de testes rápidos imunocromatográficos de detecção de antígenos e anticorpos, é crucial para um manejo eficaz da doença e para a implementação de estratégias de controle, como a vacinação, que permanece a principal forma de prevenção. A abordagem precoce e assertiva na identificação da cinomose canina pode não apenas salvar vidas, mas também evitar complicações graves, como os distúrbios neurológicos permanentes, melhorando, assim, a qualidade de vida dos cães afetados.
Soluções disponíveis:
Os testes rápidos imunocromatográficos da Accuvet oferecem diversas vantagens no diagnóstico da cinomose canina. Por serem práticos e altamente sensíveis, esses testes permitem a detecção de antígenos virais diretamente em amostras de swabs conjuntivais, nasais, orais e líquor, fornecendo resultados em poucos minutos. Além disso, os testes Accuvet possibilitam a detecção e mensuração semi-quantitativa de anticorpos IgG e IgM, contribuindo para a avaliação precisa da resposta imunológica, seja em infecções ativas ou após a vacinação. Essa abordagem rápida e confiável é fundamental para decisões terapêuticas imediatas e auxilia na implementação de medidas de contenção e prevenção da doença, como a vacinação de outros animais suscetíveis.
Ao facilitar a identificação precoce da cinomose, os testes rápidos da Accuvet ajudam a minimizar complicações graves, como danos neurológicos permanentes, melhorando significativamente o prognóstico e a qualidade de vida dos cães acometidos.
· Accuvet Cinomose Ag: Detecção de antígenos virais em swabs conjuntivais, nasais, orais e/ou líquor.
· Accuvet Cinomose Ac: Avaliação semi-quantitativa dos anticorpos IgG e IgM contra Cinomose.
· Accuvet CDV/CPV Ac: Teste combinado para avaliação semi-quantitativa dos anticorpos IgG e IgM contra Cinomose e Parvovirose.
Referências:
· Microbiologia veterinária e doenças infecciosas / P. J. Quinn, B. K. ... [et al.]; tradução Lúcia Helena Niederauer Weiss, Rita Denise Niederauer Weiss. Porto Alegre: Artmed, 2007.
· Doenças infecciosas em cães e gatos / Craig E. Greene; tradução Idilia Vanzellotti, Patricia Lydie Voeux. 4.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
· Petlove. Cinomose. Petlove Saúde. Disponível em: https://saude.petlove.com.br/doencas/cinomose. Acesso em: 18 jan. 2025.